J.R.
Guzzo
Março
de 2019
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A presidente do PT exibe
o registro de candidatura de Lula no TSE - 15/08/2018
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Uma observação feita com frequência durante os
governos de Lula e Dilma Rousseff era a de que nenhum dos dois tinha oposição ─
uma anomalia de circo, como a mulher barbada e o bezerro de duas cabeças, pois
todo o regime democrático tem de ter uma oposição, queira-se ou não. Até que
foi notada, ao longo desse período, a sombra de um partido que fazia o papel de
oposição. Mas era o PSDB, e aí é a mesma coisa que não haver oposição nenhuma.
A principal preocupação dos tucanos era não falar mal de Lula, em nenhuma
circunstância; conseguiram o prodígio de jamais aparecer em nenhuma das imensas
manifestações de massa que, das ruas para o plenário do Congresso, acabariam
levando ao impeachment de Dilma e aos sucessivos infortúnios que reduziram o PT
ao seu atual estado de miséria extrema. Se Lula, mais o seu sistema de apoio,
estão indo cada vez mais para o diabo, isso se deve exclusivamente a eles
mesmos e aos atos que praticaram. Pois bem: o mundo gira, a vida passa, e onde
está, hoje, a oposição real ao governo do presidente Jair Bolsonaro? Também não
existe.
Existe, obviamente, uma espantosa gritaria
contra tudo o que o governo fez, acha que deve fazer ou está fazendo; é
possível que nunca tenha havido na história desse país tanta indignação por
parte dos adversários em relação a quaisquer gestos do presidente e de sua
equipe, por mais cômicos, banais e irrelevantes que possam ser. Condena-se
tudo, quase sem exceção, incluindo-se aquilo que se imagina que estejam
pensando. Mais aí é que está: isso não é oposição, ou oposição não é isso. Isso
é fumaça de gelo seco, que ocupa a maior parte do noticiário sobre a vida
nacional, os comentários dos influencers
e a bulas de excomunhão expedidas pelos especialistas, mas se desmancha
sozinha; não sai correndo atrás de ninguém, e nem machuca quem fica só olhando.
A impressão é que o mundo vai acabar daqui a meia hora. Mas a meia hora passa e
o mundo não acaba. Resultado: o governo Bolsonaro está morto, mas continua
vivo.
O que há, na verdade, é gente falando mal do
governo, por não gostar de nenhuma das posturas que o levaram a ser eleito. Não
gostava antes da eleição; continua não gostando agora, e o mais provável é que
não venha a gostar nunca. Mas isso é apenas liberdade de pensamento, que acaba
vindo a público porque existe liberdade de expressão ─ e por que essa liberdade
se manifesta através de órgãos de comunicação onde Jair Bolsonaro e o seu mundo
mental são detestados. Oposição é outra coisa. É o conjunto de forças
organizadas, com projetos de governo, programas de ação e disciplina, capazes
de levar a população às ruas, e não apenas os próprios “militantes”, vencer
votações importantes no Congresso e representar, de verdade, a maioria dos
cidadãos que não aprova o governo. Mais: oposição é algo que tem capacidade de ganhar
eleições livres. Tem muito pouco ou nada a ver, portanto, com o bicho que está
aí ─ o PT, os partidos a seu serviço e os blocos que ficam na arquibancada
gritando “juiz ladrão” sem mudar nunca o resultado do jogo.
É uma questão de ponto de vista, mas também de
fatos. O que esperar de uma oposição cujo grande líder está na cadeia,
condenado por corrupção em duas instâncias, sem que haja multidões na rua
exigindo sua libertação? Como pode funcionar um partido cuja presidência está
entregue à uma deputada que desistiu de defender seu cargo de senadora porque
ficou com medo de perder uma eleição majoritária? Vale a pena perguntar,
também, como pode dar certo uma oposição que não tem nenhum dirigente, um só
que seja, com um mínimo de popularidade, influência junto ao público e
capacidade de falar para a massa.
O PT deposita suas esperanças, hoje, em
enredos de escola de samba, em comitês da ONU ou na liderança de um artista de
novela de segunda linha. Tem um aproveitamento de 100% na escolha do cavalo que
perde: é a favor da ditadura da Venezuela, do imposto sindical ou do
“desarmamento” da polícia, e contra a reforma da previdência, o pacote
anticrime do ministro Sergio Moro e a Lava Jato. Não tem um programa de governo
compreensível para se contrapor ao de Bolsonaro. Seu único candidato para uma
eleição nacional é Fernando Haddad. O MST nunca mais invadiu uma fazenda; seus
assemelhados nunca mais invadiram um terreno de periferia ou um prédio
abandonado. Não tem mais o dinheiro da corrupção que recebia das empreiteiras
de obras públicas. Está escrevendo, a cada dia, o Manual Completo do Erro.
O governo, desse jeito, só pode perder de si
próprio.

