segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Conversa fiada



Fevereiro de 2019 - J.R. GUZZO







A cada dia que passa mais se firma a convicção de que o Brasil é um país realmente extraordinário de aberrações de sua vida pública; nada se verá de parecido no mundo atual, no passado e possivelmente no futuro. Há demonstrações diárias e concretas dessa degeneração psicótica das “instituições da sociedade civil”, cuja função, na teoria, é fornecer os parâmetros, a segurança e o equilíbrio para o país funcionar com um mínimo de chances. 


Faça o teste: daqui para frente, ao acordar de manhã a cada dia, verifique se você consegue chegar até a noite sem ser atropelado por algum absurdo de primeira classe produzido pelos que resolvem como será a sua existência, quais as suas obrigações e qual o custo a pagar para viver por aqui. Conseguiu? Impossível, a rigor, não é; mas a experiência mostra que é muito difícil. Acabamos de viver, justo agora, um dos grandes momentos deste processo permanente de depravação de valores, conduzido pelos peixes mais graúdos da “organização social” brasileira. O ministro da Justiça, Sergio Moro, apresentou, apenas 30 dias após chegar ao governo, um conjunto de medidas essenciais, urgentes e tecnicamente impecáveis para combater o crime e a corrupção que fazem do Brasil um dos países mais lamentáveis do planeta. E de onde vem, de imediato, a oposição mais enfurecida contra as medidas de Moro? Não dos criminosos ─ de quem, aliás, não se perguntou a opinião. A guerra contra a proposta vem da Ordem dos Advogados do Brasil, de juízes do Supremo Tribunal Federal, de integrantes do Ministério Público, dos filósofos que frequentam o mundo das comunicações e por aí afora. É uma espécie de ode ao suicídio.


O resumo da opera é o seguinte: todas essas forças, mais as diversas tribos de defensores do “direito de defesa”, acham que o grande problema do crime no Brasil é que existe punição demais para os criminosos, e não de menos. Há excesso de presos sofrendo dentro dos presídios, argumentam eles. A noção de que a impunidade incentiva diretamente o crime, segundo as mesmas cabeças, é uma construção da “direita branca”, da classe média e dos grandes interesses econômicos para impedir a organização dos pobres e sua ascensão social. Na visão do PT, expressa de imediato pelo professor Fernando Haddad, o ministro Moro está errado porque não propôs nada contra a verdadeira criminalidade no Brasil: ela está no “genocídio da população negra”, na “letalidade da polícia” e no “excesso de lotação nos presídios”. O pacote de Moro, segundo todos, é “apenas repressivo” ─ e crime, como se sabe hoje em dia, não pode mais ser combatido com repressão. O que o governo deveria fazer, então? Deveria estabelecer “canais de diálogo” com a sociedade, promover o “desarmamento da polícia”, para evitar a morte de “suspeitos da prática de crimes”, a soltura de presidiários que estão “desnecessariamente” nos presídios, a redução no “excesso de prisões” e mais o que se pode imaginar no gênero.


Muito pouco disso, na verdade, é fruto da inocência ou da compaixão pelo ser humano. O que realmente sustenta o movimento em favor do crime, sempre disfarçado como ação para promover os direitos legais dos criminosos, é o interesse material dos advogados que os defendem. Esqueça a massa de pobres diabos amontoados no presídio de Pedrinhas ou algum outro inferno parecido: estes aí, a OAB e os escritórios de advocacia milionários, querem mais é que se lixem. O que lhes interessa, mesmo, é manter, ampliar e criar leis e regras que permitam deixar eternamente em aberto os processos contra os clientes que lhes pagam honorários de verdade. São os corruptos, traficantes de drogas, contrabandistas de armas, empresários, sonegadores de imposto ─ as “criaturas do pântano”, de que fala o ministro Paulo Guedes. 


O resto é pura conversa fiada. O que importa, mesmo, é que a culpa do réu nunca seja “provada em definitivo”. Enquanto houver crimes e processos que não acabam, haverá cada vez mais fortunas em construção.

domingo, 17 de fevereiro de 2019

A vida de Brian










Algumas técnicas de oposição política já existem desde os tempos do Império Romano, como pode ser observado no diálogo abaixo, extraído do file “A vida de Brian” do Grupo Monty Python:


— Já nos sangraram, os bastardos. Já nos tomaram tudo o que tínhamos. E não só de nós. Dos nossos pais e dos pais dos nossos pais.

— E dos pais dos pais dos nossos pais.

— Sim…

— E dos pais dos pais dos pais dos pais…

— Certo. Não precisa insistir. E o que eles nos deram em troca? Opressão, sofrimento!

— E o aqueduto.

— Como?

— O aqueduto.

— Oh, sim, sim. Eles nos deram isso, é verdade.

— E o saneamento.

— Ah, é, saneamento. Você lembra como a cidade era…

— Certo. Eu concedo que o aqueduto e o saneamento são duas coisas que os romanos fizeram.

— E as estradas.

— Bem, e obviamente as estradas. Nem era preciso falar disso. Mas fora o saneamento, o aqueduto e as estradas…

— A irrigação.

— A medicina.

— A educação.

— A Saúde.

— Tudo bem, já chega!

— E o vinho.

— Ah, é… É verdade. Isso é algo que vai nos fazer falta se os romanos forem embora…

— Casas de banho públicas.

— E agora é seguro andar nas ruas à noite.

— Ah, sim, os romanos certamente sabem manter a ordem. Vamos reconhecer: são os únicos que poderiam fazer isso num lugar como esse.

— Tudo bem, tudo bem, mas fora o saneamento, a medicina, a educação, o vinho, a ordem pública, a irrigação, as estradas, o sistema de água e a saúde pública, o que os romanos fizeram por nós?

— Trouxeram a paz!

— O quê? Oh… Paz? Sim… Cale-se!

Brasília em 2012





Premissas:


§  A deputada Jaqueline Roriz, Brasília, foi filmada recebendo propina. Seu mandato foi mantido.


§  O senador Cyro Nogueira foi fotografado com o empreiteiro Fernando Cavendish, da Delta, em Paris; logo depois se opôs à convocação de Cavendish pela CPI do Cachoeira. Seu mandato foi mantido.

§  Inocêncio Oliveira, que cavou poços em suas fazendas com máquinas do governo. Seu mandato foi mantido.

§  Denise Leitão Rocha, uma assessora do senador Cyro Nogueira foi filmada fazendo sexo. Foi demitida.




Denise Rocha era solteira, transou com um rapaz solteiro, ninguém tem nada com isso; era maior de idade; o lugar em que ocorreu a cena definitivamente não é um prédio público. Parlamentar corrupto podia; roubar dinheiro público podia; mas escolher um parceiro sexual de sua preferência, sem qualquer envolvimento do Tesouro era uma falha imperdoável., Denise Rocha é advogada, buscou seus direitos inclusive com quem divulgou o vídeo sem seu consentimento. Portais especializados no tema venderam ou alugaram as imagens, o que é crime. E o senador Cyro Nogueira fez uma declaração desastrosa: “É uma situação complicada, não vejo condições de ela desempenhar seu trabalho depois disso. Ela trabalha nas comissões, não é dentro do gabinete”. Traduzindo, os outros não poderiam vê-la, ele poderia.

O rapaz do vídeo pareceu um assessor do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), mas disse que foi confundido.

Por que não o investigam também?

Discriminação de gênero?

Martín Fierro









José Hernández foi um jornalista e poeta brilhante, viveu entre 1834 e 1886  e é o autor do considerado livro pátrio da Argentina, “El gaúcho Martín Fierro”. O livro foi publicado pela primeira vez em 1872 e sua continuação, La vuelta de Martín Fierro, surgiu em 1879.

A obra descreve o caráter independente dos habitantes dos pampas, tem a peculiaridade de não utilizar a forma culta do espanhol, o autor utiliza a forma de falar dos gaúchos.

Algumas contribuições contidas na obra de Hernández são significativas:



“El primer cuidad del hombre es defender su pellejo

Llevate de mi consejo, fijate bien em lo que hablo

El diablo sabe por diablo pero mas sabe por viejo”



A primeira preocupação de um homem é proteger a si próprio

Ouça o meu conselho, acredite no que eu falo

O diabo sabe por ser o diabo, mas sabe mais por ser velho



“Puede una gota de lodo sobre un diamante cher

Puede tambien de ese modo su fulgor oscurrecer

Pero aunque el diamante todo se encuentre de fango lleno

El valor que lo hace bueno no perdera ni un instante

Y seguira siendo diamante pero mas que lo manche el cieno”



Pode cair uma gota de lodo sobre um diamante

Pode também, deste modo, obscurecer o seu fulgor

Mas mesmo que todo o diamante sem encontre mergulhado no lodo

O seu valor não se perde em nenhum momento

Continua sendo um diamante por mais sujo que esteja

Ecochatos







A gênese do movimento ecológico ocorreu durante a chamada Guerra Fria, uma corrida armamentista entre os EUA e o bloco soviético.  Inicialmente centrou suas atenções no boicote aos testes nucleares, com o tempo o leque de problemas a serem endereçados migrou para emissão de poluentes, experiências genéticas, cultivo de transgênicos e mudanças do clima. O movimento radicalizou nos anos 80 quando um grupo de ecologistas passou a adotar posições extremas como única forma de questionar a ordem estabelecida, mesmo que contrariassem a lógica e a ciência. O desmantelamento do comunismo também contribuiu, muitos dos ativistas de esquerda migraram para o ambientalismo para continuar a defender seus projetos, que têm muito mais a ver com aversão ao capitalismo que com ecologia.


Nos dias atuais o movimento ecológico aparenta ter adotado como filosofia de trabalho criar dificuldades para vender facilidades.  Em termos práticos a ação dos ecologistas prejudica mais que ajuda. Suas campanhas contra alimentos transgênicos, energia nuclear, cloração da água, criação de peixes em cativeiro e desmatamento florestal são baseadas em desinformação incutindo medo. Em linhas gerais batalham para reduzir o consumo de combustíveis fósseis - mas se opõem às principais alternativas, que são a energia nuclear e a hidrelétrica. Ecologistas falam como se pudessem resolver tudo com energia solar e eólica -  que é logicamente impossível –  e não abrem mão dos confortos modernos, mas querem que o mundo volte para uma espécie de era pré-industrial. 


Um exemplo didático da ação dos ecologistas ocorreu em março de 1989, o petroleiro Exxon Valdez acidentou-se na costa do Alasca e derramou no mar um volume entre 257.000 e 750.000 barris de petróleo. Estimativas na ocasião avaliavam que, em razão do desastre ambiental, morreram 250 mil pássaros marinhos, 2.800 lontras, 250 águias e 22 orcas, além da perda de bilhões de ovos de salmão. Na época, especialistas do movimento ecológico profetizaram que a natureza levaria mais de dois séculos para recompor seu ambiente natural. Passados pouco menos de trinta anos a enseada do Príncipe Guilherme, local do acidente, já recuperou grande parte da fauna e flora, a atividade econômica da pesca voltou ao nível anterior ao incidente e as previsões alarmistas não se confirmaram. O alarde dos ativistas da ecologia foi sufocado por generosas doações da proprietária do petroleiro para as ONGs que coordenaram os trabalhos de restauração das condições vigentes antes do acidente.


Recentemente o aquecimento global tem sido anunciado como um prenúncio do caos ou catástrofe climática, porém não existe como provar, cientificamente que o homem é a principal causa. Não é razoável supor que os fatores ambientais, que sempre guiaram o clima durante os 4,54 x 109 anos da história da Terra, deixaram de existir e que a ação do homem seja a grande causadora das mudanças.

O catastrofismo é utilizado como a principal fonte de recursos para ecologistas. Um relatório recente apresentado na ONU afirma que, se a temperatura subir 1,5 °C, 30% de todas as espécies animais e vegetais correrão risco de extinção. É uma conclusão absurda e desconhece que a terra já foi bem mais quente. Atualmente a temperatura média da terra está em 14.5 °C e estudos científicos indicam que já houveram eras com média de 22 °C, e as espécies que hoje existem sobreviveram a esses períodos quentes. 


O ex-vice-presidente dos EUA Al Gore ficou mundialmente conhecido pelo seu filme “Uma verdade inconveniente”, onde destacou o perigo do aquecimento global. Uma das sequências mais assustadoras do filme foi uma simulação do que causaria o aumento dos oceanos em razão do derretimento do gelo dos polos. As estimativas desastrosas indicam que cidades inteiras próximos à orla serão submersas, algumas previsões indicam que o nível do mar deve subir 16 metros, outros "estudos” citam 282 metros. Inexplicavelmente Gore comprou uma mansão em Montecito, Califórnia, em uma localização que, segundo suas próprias previsões, deve ser coberta pelas águas.


A movimento ecológico, que foi criado pelo temor de uma guerra nuclear (entre os EUA e a antiga União Soviética), comete o erro de tratar energia nuclear da mesma forma que as armas nucleares, como se fossem parte do mesmo holocausto. Não faz sentido banir uma tecnologia só porque ela pode ser usada para o mal, se fosse assim, os humanos jamais teriam utilizado o fogo. A tecnologia nuclear sofre rejeição maciça, porém é cada dia mais aceita no mundo todo e, importante, não se descobriu nada que possa substituí-la para suprir as necessidades de energia do mundo atual. É fácil controlar o lixo nuclear, não vaza porque não é líquido, não es­capa para o ambiente como a poluição produzida pela queima de petróleo. O perigo da radioatividade tem sido exa­gerado para assustar as pessoas. Todos nós somos expostos e recebemos radiação todos os dias, mas só altos níveis muito concentrados são perigosos. O maior desastre nuclear da história, em 1986 em Chernobyl na Ucrânia, causou em torno de 25 mil óbitos e deixou 70 mil pessoas com sequelas. Para efeitos de comparação o tsunami de 2004 na Indonésia, um acidente de causas naturais, causou mais de 230 mil mortes. O colapso da barragem da Mina do Feijão em Brumadinho vitimou 325 pessoas, a passagem do Katrina em New Orleans, outra catástrofe natural, causou mais de 1.800 fatalidades. 


Ecologistas são especialistas em se opor ao desenvolvimento e a guerra contra os transgênicos é o melhor exemplo. Nunca ficou comprovado que as plantações geneticamente modificadas façam algum mal à saúde ou contaminem  o ambiente, pelo contrário, há muitos efeitos positivos como menos uso de pesticidas, menor exposição do lavrador a produtos químicos e menor erosão do solo. Alguns tipos de transgênicos poderiam aca­bar com a desnutrição - como o arroz dourado, que incorpora ferro e vitaminas A e E. Essa tecno­logia já existe, mesmo assim o movimento ecológico combate a sua utilização, com argumentos baseados na ignorância e medo.


Por vezes os movimentos ambientalistas, contestadores por vocação, são utilizados como massa de manobra por empresas interessadas em maximizar os seus lucros. A pressão explícita dos ecologistas provocou em 1978 a proibição do uso nos EUA do clorofluorcarboneto, (CFC), um composto carbono, cloro e flúor conhecido como Freon. O gás das geladeiras, também utilizado e refrigerantes e aerossóis, o CFC foi eleito como vilão pelos ecologistas por alegadamente por desestabilizar a camada de ozônio (não há evidência cientifica que apoie esta tese). A patente de fabricação do composto, registrada pela DuPont expirou em 1979, desde então a produção do produto por terceiros é isenta do pagamento de royalties. O CFC foi substituído pelo HCFC, não por acaso com uma patente da DuPont válida por mais 25 anos.


Existe uma organização registrada nos EUA chamada “Farms here, forest there” com a finalidade explícita de proteger seu mercado na produção de grãos. Como o próprio nome indica, patrocina a ideia que fazendas devem ser restritas ao território americano, florestas obrigatoriamente devem ser conservadas fora de suas fronteiras. Esta organização financia diversas ONGs no Brasil para inviabilizar os produtores rurais tupiniquins, liderando campanhas como, por exemplo, o desmatamento ou tratamento do solo.  


As pessoas atualmente vivem melhor, mais felizes e por mais tempo, as espécies não estão desaparecendo no ritmo previsto pelos catastrofistas, a população mundial deve estabilizar em 9 bilhões  e, provavelmente haverá produção suficiente para ali­mentar toda essa gente. A tecnologia está ficando mais limpa, mais verde, e pessoas estão mais conscientes do que nunca sobre o ambiente.

A maior questão ecológica ainda é a pobreza. Sociedades pobres não conseguem limpar a água que sujam, nem replantar as árvores que cortam. Não tenho ciência de alguma passeata ou movimento para erradicar a pobreza do planeta.


Porcos assados



A melhor solução para qualquer problema deve assumir a menor quantidade de premissas possível.

Princípio da Parcimônia.








Houve um incêndio em um bosque onde viviam porcos selvagens e alguns foram assados. Os homens, acostumados a comer carne crua, experimentaram e acharam a carne assada deliciosa, então passaram a incendiar um bosque sempre que queriam comer carne assada. Não era uma solução inteligente: às vezes os animais ficavam queimados demais, outras parcialmente crus. Entretanto a demanda por carne assada aumentou rapidamente e o processo preocupava porque quando falhava as perdas eram enormes, muita gente se alimentava de carne assada e também muitos se ocupavam com a tarefa de assá-la. O processo simplesmente não podia falhar, entretanto quanto maior a escala, maior o número de falhas com perdas enormes. Em razão dos inúmeros insucessos aumentava o clamor popular e havia a necessidade urgente de reformular profundamente o processo.

Congressos, seminários e conferências passaram a ser realizados para buscar soluções que nunca resultavam em melhorar o mecanismo. Assim, no evento seguinte repetiam-se os problemas e novos congressos, seminários e conferências eram realizados.

As causas dos fracassos foram diagnosticadas pelos especialistas como resultado de um variado leque de problema: indisciplina dos porcos que não permaneciam onde deveriam; inconstante natureza do fogo; árvores excessivamente verdes; umidade da terra; serviço de informações meteorológicas que não acertava o lugar, o momento e a quantidade das chuvas.

Os motivos nunca eram únicos e extremamente difíceis de determinar, a única certeza é que o processo de assar porcos era muito complexo.

Tudo evoluiu para uma grande estrutura: maquinário diversificado; incendiadores com tarefas específicas em provocar o incêndio (alguns altamente especializados, incendiadores da zona norte, da zona sul, da zona leste e da zona oeste; incendiadores noturnos ou diurnos, com especialização em matutino e vespertino – incendiador de inverno, de verão, etc.). Havia especialistas também em ventos – os anemotécnicos. Havia um Diretor Geral de Assados, um Diretor de Técnicas Ígneas (com seu conselho geral de assessores), um Administrador Geral de Reflorestamento, uma Comissão Nacional de Treinamento Profissional em Porcologia, um Instituto Superior de Cultura e Técnicas Alimentícias (ISCUTA) e o Bureau Orientador de Reformas Igneooperativas.

Havia sido projetada e encontrava-se em plena atividade a formação de novos bosques e selvas, de acordo com as mais recentes técnicas de implantação – utilizando-se regiões de baixa umidade e onde os ventos não sopram mais que três horas seguidas.

Havia milhares de pessoas trabalhando na preparação dos bosques que logo seriam incendiados. Havia especialistas estrangeiros estudando a importação das melhores árvores e sementes, fogo mais potente, etc. Havia grandes instalações para manter os porcos antes do incêndio, além de mecanismos para deixá-los sair apenas no momento certo.

Foram formados professores especializados na construção dessas instalações. Pesquisadores trabalhavam para as universidades que preparavam os profissionais especializados para estas funções; fundações apoiavam os pesquisadores que trabalhavam para as universidades, etc.

As soluções que os congressos sugeriam eram, por exemplo, aplicar triangularmente o fogo depois de atingida determinada velocidade do vento, soltar os porcos 15 minutos antes que o incêndio médio da floresta atingisse 47 graus, posicionar ventiladores gigantes em direção oposta à do vento, de forma a direcionar o fogo, etc. Todas as ideias eram lastreadas em extensas pesquisas e estudos diversos.

Um dia um especialista ígneo, categoria AB/SDM-VCH (ou seja, um acendedor de bosques especializado em sudoeste diurno, matutino, com bacharelado em verão chuvoso), chamado descobriu que o problema era muito fácil de ser resolvido. Bastava matar o porco escolhido, limpando e cortando adequadamente o animal, colocando-o então em uma armação metálica vazada sobre brasas, para  o efeito do calor – não as chamas – assar.

O Diretor Geral de Assados mandou chamá-lo ao seu gabinete, e, depois de ouvir pacientemente a sua explanação, respondeu da seguinte forma:

-    Tudo o que o Sr. falou disse está correto, mas inviável na prática. O que fariam, por exemplo, com os anemotécnicos, caso fossemos aplicar a sua teoria? Onde seria empregado todo o conhecimento dos acendedores de diversas especialidades?

-    Não sei, - respondeu o funcionário confuso.

-    E os especialistas em sementes? Em árvores importadas? E os projetistas de instalações para porcos, com suas máquinas purificadoras de ar?

-    Não pensei neste detalhe.

-    Vamos falar dos anemotécnicos, que levaram anos especializando-se no exterio e cuja formação custou tanto dinheiro ao país? Vou mandá-los limpar porquinhos? E os conferencistas e estudiosos, que ano após ano têm trabalhado nos Programas de Reformas e Melhoramentos? Que faço com eles se a sua solução resolver tudo?

-    Sinceramente não sei.

-    Percebe que a sua ideia não é adequada ao que necessitamos? O senhor não vê, que se tudo fosse tão simples, nossos especialistas já teriam encontrado a solução há muito tempo atrás? O senhor, com certeza, entende que eu não posso simplesmente convocar os anemotécnicos e dizer-lhes que tudo se resume a utilizar brasinhas, sem chamas! O que o senhor espera que eu faça com extensas áreas de bosques já preparados, cujas árvores não dão frutos nem têm folhas para dar sombra? Pensou nisso?

-    Não sei senhor.

-    Vamos mais, nossos engenheiros com pós-graduação em porcopirotecnia, o senhor não considera que sejam personalidades científicas do mais extraordinário valor?

-    Com certeza são.

-    Pois então, o simples fato de possuirmos valiosos engenheiros em porcopirotecnia indica que nosso processo é muito bom. O que eu faria com indivíduos tão importantes para o país?

-    Não sei.

-    Viu? O senhor tem que trazer soluções para problemas específicos – por exemplo: como melhorar as anemotécnicas atualmente utilizadas, como obter mais rapidamente acendedores do leste (nossa maior carência), como construir instalações para porcos com mais de sete andares. Temos que melhorar a eficiência do procedimento e não o transformar radicalmente, o senhor percebe? O que o Sr. propõe é insensato!

-    Realmente, estou perplexo! – Respondeu o funcionário.

-    Bem, agora que o senhor conhece as dimensões do problema, não saia por aí dizendo que pode resolver tudo. O problema é bem mais sério e complexo do que o senhor imagina. Agora, entre nós, devo recomendar-lhe que não insista nessa sua ideia – isso poderia prejudicar sua carreira. Não por mim, o senhor entende. Falo isso para o seu próprio bem, porque eu o compreendo, entendo perfeitamente o seu posicionamento, mas o senhor sabe que pode encontrar outro superior menos compreensivo, não é mesmo?

O funcionário, envergonhado com a sua falta da visão total do processo, não falou mais nada. Sem despedir-se, atordoado, saiu de fininho e voltou para o seu trabalho feliz por, ao menos, ter mantido o seu emprego.

A inércia para alterar procedimentos ineficientes que perduram por muito tempo é imensa. O sistema se protege contra mudanças que, por mais evidentes e necessárias que sejam, encontra reações pelos que são beneficiados.  

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Derrota ou morte


              
O Renan Calheiros que podia tudo não existe mais
J..R. Guzzo -  Fev/2019



Renan Calheiros abandona o plenário do senado


Onde foi parar o Brasil no qual você morava até uma semana atrás? Ainda dá para lembrar: o senador Renan Calheiros praticamente já estava despachando como o novo presidente do Senado Federal. Com as suas imensas capacidades de gênio político, dono de estoques ilimitados de esperteza e líder indiscutível dos políticos que de repente caíram do caminhão de mudanças com a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais, Renan não poderia perder a disputa para presidir o Senado.

Segundo mais de 100% dos doutores em ciência política deste país, a chance de qualquer outro senador vencer era a mesma de alguém mudar os 90 graus do ângulo reto. A horrenda rejeição popular ao seu nome era tratada, nos mesmos meios, como uma fantasia de amadores; “pressão de rua” não existe nesses casos, garantiam os entendidos. “Política de verdade”, em seu livro, não tem nada a ver com redes sociais, etc. Esse Bolsonaro, os vinte generais do seu primeiro escalão, o ministro Sergio Moro, etc., iriam aprender, enfim, que é impossível governar o Brasil sem “ceder aos políticos”, e o sinônimo de política no Brasil era Renan Calheiros. Saiu tudo ao contrário — mais uma vez ao contrário, aliás, como tem acontecido dia após dia.

Pois é: estamos vivendo no mesmo país, mas o país em que vivemos é cada vez menos o mesmo. O Brasil dos Renans, dos “profissionais” da política, das “realidades de Brasília”, está sumindo aos olhos de todo mundo; não existe mais como existia seis meses atrás, e menos ainda como há um, dois ou cinco anos. Não é isso que dizem para você, tanto que há apenas uma semana a vitória de Renan para a presidência do Senado era dada como uma verdade científica. Mas é isso que acontece no mundo dos fatos., o único que conta, o que houve foi o seguinte: “Perdeu, Renan. Game over”. E onde foi parar a perigosíssima raposa das raposas, que ainda outro dia estava no primeiro plano da política brasileira? Não havia mais raposa nenhuma, isso sim — ou, então, havia uma raposa cega, surda e aleijada, com prazo de validade vencido e incapaz de notar que estava desfilando nua no meio da rua. Em vez de olhar para a realidade, preferiu acreditar nos especialistas. Acabou virando estopa.

É sempre mais fácil dizer o resultado do jogo depois que o juiz deu o último apito, claro. Mas no caso de Renan daria pelo menos para desconfiar, com trinta minutos corridos do segundo tempo e 3 a 0 no placar para o outro time, que a coisa tinha se complicado horrivelmente. Encantados em medir o tamanho do problema que iriam criar para o governo, Renan e os profissionais que sempre veem tudo, menos o que está acontecendo, não perceberam o tamanho descomunal da resistência ao seu nome. Esse erro de avaliação pode ser fatal, hoje em dia: o político brasileiro padrão está gostando cada vez menos de ficar do lado contrário ao da opinião pública, tal como ela se manifesta na internet ou na rua. Está sendo assim desde o impeachment de Dilma Rousseff; de lá para cá, a palavra “rejeição” se tornou a preocupação número 1 de quem pretende sobreviver na política. O desfecho das eleições de outubro, com o massacre geral das candidaturas que caíram em desgraça na boca do povo, está aí para provar.

Diante disso, na verdade, Renan nem deveria ter lançado sua candidatura. Tendo lançado, deveria tê-la retirado. Não tendo retirado, deveria, pelo menos, deduzir que a maioria dos senadores lhe dera um aviso sério de que sua candidatura estava liquidada, na prática, quando decidiram que a eleição deveria ser feita com voto aberto. Preferiu pedir proteção ao Supremo Tribunal Federal e conseguiu, de fato, preservar o voto secreto — acreditava, junto com os ases da observação política nacional, que, podendo esconder seus votos, os senadores que não queriam votar nele passariam a querer. Não adiantou nada, é óbvio. Se os eleitores têm vergonha de votar em você, não há mais nada a fazer nos dias atuais: peça para sair, porque a sua candidatura foi para o saco. A vida real, naturalmente, anulou em dois minutos a decisão do STF. Os adversários anunciaram que iriam declarar em voz alta em quem votariam e, com isso, forçaram todos a fazer o mesmo. Fim do jogo. Renan acabou tendo uma soma de cinco votos, derrotado por um senador principiante do Amapá do qual ninguém jamais tinha ouvido falar.


“Acabou-se o conforto de ignorar dez anos de acusações de peculato, uso de notas frias, corrupção passiva, criação de boiadas mágicas e por aí afora”

O que interessa, uma vez terminada essa comédia, não são os finíssimos cálculos de engenharia política em torno da eleição, as desculpas miseráveis dos autores das previsões erradas ou os habituais atos de delinquência praticados nessas ocasiões, como o delito de furto cometido por uma criação de boiadas mágicas e por aí afora, em uma dúzia de processos no STF — o melhor que pode lhe acontecer, agora, é não ir para a cadeia. Sumiu do mapa, em suma, o Renan todo-poderoso de Fernando Henrique, de Lula e de Dilma. Continua aí, claro, e os mesmos que previam sua vitória profetizam agora que ele será um “problemaço” para o governo; revoltado com a derrota, vai se vingar melando “as reformas”. Mas é apenas outra ilusão. Renan nunca mais vai presidir coisa nenhuma. Não manda em nada. Não tem a caneta de presidente do Senado e, portanto, não pode distribuir verbas, empregos e outros negócios em troca de poder. Sem caneta, vira um eunuco político — e isso faz diferença, sim, para o país.

O ocaso de Renan Calheiros oferece mais uma oportunidade para entender outra realidade deste Brasil que está mudando — a agonia, morte e enterro, como força política, da esquerda nacional e do seu líder nos últimos trinta anos. É uma realidade normalmente ignorada, mas ignorar que 2 mais 2 são 4 não faz nenhuma diferença; a soma continua sendo 4. Nada combina tão bem essas duas decadências quanto a mais recente quimera cultivada pelo Complexo Lula-PT-PSOL-MST-etc. Acredite se quiser, eles achavam que Renan, hoje seu principal amigo de fé, irmão e camarada, iria formar ao redor de si um fortíssimo “polo de poder alternativo” no Brasil; esse prodígio seria capaz de enfrentar o “governo fascista” e dar, afinal, os músculos políticos de que a “resistência” tanto precisa. Como Lula e seu sistema de apoio puderam acabar dando nisso? Resposta: pela obsessão por tomar decisões erradas, escolher companhias ruinosas, de Marcelo Odebrecht a Sérgio Cabral, e recusar-se a admitir o mínimo erro. Aí fica difícil. Se o motor do carro fundiu e você acha que não fundiu, pode esquecer: vai ficar dando no contato pelo resto da vida, e o carro não vai pegar.

Por culpa unicamente de suas decisões, e não de “golpes” imaginários, das “elites” ou da CIA, Lula virou uma espécie de rosca sem fim. Ele e o “campo progressista” se meteram num enrosco esquisito: quanto mais perdem, mais esforço fazem para perder de novo. Seu lema, hoje, parece ser: “Derrota ou morte”. Ficaram com as duas.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Farms here, forrest there


J.R. Guzzo
 02/02/2018





Nada é mais cômodo do que viver convencido de que certas coisas não podem ser discutidas, pois são a verdade em estado definitivo. É o que está acontecendo hoje com a questão ambiental pelo mundo afora — especialmente no Brasil. 

Ficou decidido pela opinião pública internacional e nacional que o Brasil destrói cada vez mais as suas florestas — por culpa da agropecuária, é claro. Terra que gera riqueza, renda e imposto é o inferno. Terra que não produz nada é o paraíso. Fim de conversa. 

Os fatos mostram o contrário, mas e daí? Quanto menos fatos alguém tem a seu favor, mais fortes ficam as suas opiniões. 

Ninguém imagina, pelo que se vê e lê todos os dias, que a área de matas preservadas no Brasil é mais do que o dobro da média mundial. Nenhum país do mundo tem tantas florestas quanto o Brasil — mais que a Rússia, que tem o dobro do seu tamanho, e mais que Canadá e Estados Unidos juntos. Só o Parque Estadual da Serra do Mar, em São Paulo, é duas vezes maior que a maior floresta primária da Europa, na Polônia. 

Mais que tudo isso, a agricultura brasileira ocupa apenas 10%, se tanto, de todo o território nacional — e produz mais, hoje, do que produziu nos últimos 500 anos. Não cresce porque destrói a mata. Cresce por causa da tecnologia, da irrigação, do maquinário de ponta. Cresce pela competência de quem trabalha nela. 

Como a agricultura poderia estar ameaçando as florestas se a área que cultiva cobre só 10% do país — ou tanto quanto as terras reservadas para os assentamentos da reforma agrária? Mais: os produtores conservam dentro de suas propriedades, sem nenhum subsídio do governo, áreas de vegetação nativa que equivalem a 20% da superfície total do Brasil. Não faz nenhum sentido. 

Não se trata, aqui, de dados da "bancada ruralista" — foram levantados, computados e atualizados pela Embrapa, com base no Cadastro Ambiental Rural, durante o governo de Dilma. São mapas que resultam de fotos feitas por satélite. São também obrigatórios — os donos não podem vender suas terras se não estiverem com o mapeamento e o cadastro ambiental em ordem. 

Do resto do território, cerca de 20% ficam com a pecuária, e o que sobra não pode ser tocado. Além das áreas de assentamentos, são parques e florestas sob controle do poder público, terras indígenas, áreas privadas onde é proibido desmatar etc. Resumo da ópera: mais de dois terços de toda a terra existente no Brasil são "áreas de preservação". 

O fato, provado por fotografias, é que poucos países do mundo conseguem tirar tanto da terra e interferir tão pouco na natureza ao redor dela quanto o Brasil. Utilizando apenas um décimo do território, a agricultura brasileira de hoje é provavelmente o maior sucesso jamais registrado na história econômica do país. 

A última safra de grãos chegou a cerca de 240 milhões de toneladas — oito vezes mais que os 30 milhões colhidos 45 anos atrás. Cada safra dá para alimentar cinco vezes a população brasileira; nossa agricultura produz, em um ano só, o suficiente para 1 bilhão de pessoas. 

O Brasil é hoje o maior exportador mundial de soja, açúcar, suco de laranja, carne, frango e café. É o segundo maior em milho e está nas cinco primeiras posições em diversos outros produtos. 

O cálculo do índice de inflação teve de ser mudado para refletir a queda no custo da alimentação no orçamento familiar, resultado do aumento na produção. A produtividade da soja brasileira é equivalente à dos Estados Unidos; são as campeãs mundiais. 

Mais de 60% dos cereais brasileiros, graças a máquinas modernas e a tecnologias de tratamento do solo, são cultivados atualmente pelo sistema de "plantio direto", que reduz o uso de fertilizantes químicos, permite uma vasta economia no consumo de óleo diesel e resulta no contrário do que nos acusam dia e noite — diminui a emissão de carbono que causa tantas neuroses no Primeiro Mundo. 

Tudo isso parece uma solução, mas no Brasil é um problema. Os países ricos defendem ferozmente seus agricultores. Mas acham, com o apoio das nossas classes artísticas, intelectuais, ambientais etc., que aqui eles são bandidos. 

A consequência é que o brasileiro aprendeu a apanhar de graça. Veja-se o caso recente do presidente Michel Temer — submeteu-se à humilhação de ouvir um pito dado em público por uma primeira-ministra da Noruega, pela destruição das florestas no Brasil, e não foi capaz de citar os fatos mencionados acima para defender o país que preside. Não citou porque não sabia, como não sabem a primeira-ministra e a imensa maioria dos próprios brasileiros. Ninguém, aí, está interessado em informação. 

Em matéria de Amazônia, "sustentabilidade" e o mundo verde em geral, prefere-se acreditar em Gisele Bündchen ou alguma artista de novela que não saberia dizer a diferença entre o Rio Xingu e a Serra da Mantiqueira. É automático. "Estrangeiro bateu no Brasil, nesse negócio de ecologia? Só pode ter razão." 

Nada explica melhor esse estado de desordem mental do que a organização “Farms Here, Forests There” (fazendas aqui, florestas lá) atualmente um dos mais ativos e poderosos lobbies na defesa dos interesses da agricultura americana. Não tiveram nem a preocupação de adotar um nome menos agressivo — e não parecem preocupados em dar alguma coerência à sua missão de defender “Fazendas aqui, florestas lá”. 

Sustentam com dinheiro e influência política os Green Peace deste mundo, inclusive no Brasil. Seu objetivo é claro. A agropecuária deve ser atividade privativa dos países ricos — ou então dos mais miseráveis, que jamais lhes farão concorrência e devem ser estimulados a manter uma agricultura “familiar” ou de subsistência, com dois pés de mandioca e uma bananeira, como querem os bispos da CNBB e os inimigos do “agronegócio”. 

Fundões como o Brasil não têm direito a criar progresso na terra. Devem limitar-se a ter florestas, não disputar mercados e não perturbar a tranquilidade moral das nações civilizadas, ecológicas e sustentáveis. E os brasileiros — vão comer o quê? Talvez estejam nos aconselhando, como Maria Antonieta na lenda dos brioches: “Comam açaí”.


Evoluí, não mudei




Estamos casados a mais de quarenta anos o que caracteriza um grande paradoxo, são mais de 15.000 mil dias, um tempo significativo, porém passou muito rápido. Já tivemos incontáveis discussões, a maioria por motivos idiotas, algumas necessárias para correção de rumos e nenhuma grande o suficiente para nos afastar um do outro. Desde que roubei o primeiro beijo de você algo mudou na minha vida, aposentei o “eu” e assumi o “nós”, desde então você passou a ser o foco central da minha vida, importância mais tarde compartilhada com nossos filhos.

Entretanto há eventos que são reincidentes em nosso relacionamento e considero importante que fiquem esclarecidos:


1.      Chorar em uma discussão é chantagem emocional.


2.      Ser sempre clara, dizer o que quer. Indiretas sutis não funcionam.


3.      Nunca cortar os cabelos.


4.      Conviva com a ideia que existem momentos em que não estou pensando em você.

5.      Qualquer coisa que eu tenha dito há 6 ou 8 meses atrás é inaceitável como argumento em uma discussão.

6.      Você fica bem com qualquer roupa que vestir. Pode acreditar.

7.      Cristovão Colombo não precisou que indicassem qual era o caminho. Nem eu.

8.      Se você estiver se achando gorda, é porque provavelmente você está gorda. Por favor, não faça essa pergunta.

9.      Tampa do sanitário é simples: se estiver levantada, é só abaixá-la.

10.   Fazer xixi de pé é mais difícil de acertar o alvo que sentado. Falhas acontecem.

11.   Anotar datas especiais, aniversários etc. de forma bem visível.

12.   Sim e não são respostas perfeitamente aceitáveis.

13.   O acesso a sites com mulheres nuas é educativo, serve para mostrar as novidades que a concorrência está apresentando no mercado.

14.   Não finja. Ser ineficiente é mais fácil de digerir que ser feito de bobo.

15.   Se você já não tem o corpo de uma modelo de lingerie, não espere que eu tenha o de um garotão sarado.

16.   Se uma coisa que eu permitir duas interpretações, e uma delas te deixa triste ou com raiva, eu tive a outra intenção.

17.   O direito à comparação é sagrado. Olhar para outras mulheres é o único modo de perceber como você é a mais linda.

18.   Não esfregue a lâmpada se você não está com vontade de ver o gênio.

19.   Você pode pedir para eu fazer uma coisa ou dizer como gostaria que ela fosse feita. Nunca as duas coisas ao mesmo tempo.

20.   Não é falta de educação olhar para garotas com blusinhas decotadas ou roupas muito justas. Quem se veste assim gosta de ser notada.

21.   É perfeitamente possível que eu tenha amizade femininas. Ser visto em público com outra mulher não significa necessariamente que eu tenha um caso.

22. Sexo é a melhor maneira de dizer "Eu te amo". 



Carlos Alberto