Roberto e Luciana, casal de prósperos executivos com pouco mais
de trinta anos, oito vivendo juntos, alugaram uma lancha para um passeio de fim
de semana em alto mar. O mestre arrais que conduzia a embarcação era um navegador
experiente, de 45 anos, porte atlético, que obteve a autorização para levar
junto a sua filha Aline, uma menina linda de 19 anos de idade. Por um acaso do destino aconteceu um problema
elétrico grave com a embarcação que os deixou sem motor e sem comunicações.
Após quatro dias à deriva, a lancha foi jogada contra uma ilha com farta
cobertura vegetal e abundância de água, porém desabitada. As esperanças de um
resgate rápido desvaneceram-se em duas semanas e as quatro pessoas improvisaram
uma moradia, uma cabana rústica com dois quartos. O casal ocupou um deles, pai
e filha ficaram com o outro. O tempo passou e, dois meses depois, os quatro já
tinham conseguido estabelecer uma rotina para garantir a sobrevivência,
enquanto o socorro não chegava.
Se os dias eram tranquilos, as noites eram um suplício para pai
e filha. Enquanto Roberto e Luciana mantinham os seus hábitos, os sons que
provocavam enquanto faziam amor deixavam Aline e o pai cada vez mais inquietos,
principalmente a menina, que estava no auge de sua sexualidade e tinha
dificuldades em controlar seus hormônios. Quando a situação estava à beira de
um colapso, o mestre arrais procurou o executivo e propôs um acordo, pelo qual Roberto
atenderia os desejos de sua filha, e permitiria que a Luciana saciasse a sua própria
ansiedade. Roberto considerou a proposta
razoável, por certo atraído pela ideia de desfrutar do corpo jovem da menina,
mas a sua companheira rejeitou de pronto. A situação estava confortável para
ela e o companheiro e a aflição dos outros não era um problema deles. Além do
mais, ela jamais consideraria a hipótese de se entregar para uma pessoa de nível
social tão inferior ao dela.
Uma noite Luciana acordou e não encontrou o marido ao seu lado. Desconfiada,
procurou pela menina, que também não estava na cabana. Os dois chegaram uma
hora mais tarde, procurando não fazer barulho, e a felicidade no rosto da
menina estampava a certeza que tinham prevaricado. Com muita raiva, a companheira
traída interpelou o casal aos gritos e, durante a discussão, apanhou uma faca e
matou a rival com uma estocada certeira no peito. O barulho acordou o pai da
garota que, enlouquecido pela dor, pegou uma pedra e golpeou com força a cabeça
da executiva, matando-a instantaneamente.
Esta é uma história fictícia, mas ilustra o que acontece quando
pessoas colocam privilégios e o seu próprio bem-estar acima de necessidades
coletivas. Existem situações onde não existem vencedores, e a tentativa de manutenção
de vantagens pode significar que, ao final, todos perdem.

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