sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Povo & Políticos



 Um terremoto de 8,9 graus na escala Richter ocorreu no nordeste da ilha do Japão na madrugada de 11 de março de 2013 e provocou danos no complexo nuclear de Fukushima.  Logo após as 11 usinas localizadas na região entraram em processo de desligamento e, como parte do protocolo de segurança, os reatores precisaram ser resfriados. Uma hora depois do tremor o complexo foi atingido por um tsunami que danificou os sistemas de resfriamento, os técnicos japoneses foram obrigados a adotar medidas alternativas como a injeção direta de água do mar nos reatores. Houve três explosões, seguidas de um vazamento de radiação. Os níveis no entorno da usina superaram em oito vezes o limite de segurança, forçando a evacuação de toda a população em um raio de 20 km.

Na ocasião os administradores locais solicitaram à população que colaborasse com os que foram obrigados a evacuar suas casas. Todos os comerciantes da região disponibilizam sem custos os seus estoques de água, mantimentos e remédios. Detalhe, nenhum dos beneficiados sequer cogitou em pegar mais do que o essencialmente necessário e a população local recebeu desabrigados em suas próprias residências.


Lembrei desta história ao ler sobre o comportamento dos comerciantes tupiniquins com a suposta crise de desabastecimento resultante da greve dos caminhoneiros, onde os preços dos gêneros de primeira necessidade sem nenhuma explicação razoável foram às alturas. Houve pouco sentimento de solidariedade e muitos aproveitaram para obter lucros excessivos. Associei a ocorrência com uma estória antiga que remete à criação do mundo:


Um empreendedor norte-americano passou desta para a melhor e no processo de admissão no paraíso solicitou um breve encontro com Deus, para esclarecer as razões do criador para o que ele, na terra, considerava injustiças. Uma delas versava sobre o suposto protecionismo ao distribuir as riquezas naturais na criação do mundo, o caso do Brasil era o que mais o incomodava enquanto vivo. Sua conversa com o todo poderoso foi mais ou menos assim:


O Senhor criou o mundo e diversos países, em alguns nestes colocou vulcões, desertos e os sujeitou a condições para sofrerem com tempestades e furacões.

   É verdade, meu filho.

   Pois é, mas no Brasil o senhor colocou matas verdejantes, mar maravilhoso com brisa fresca e rios de águas límpidas. Lá a natureza é bela e tranquila.

   Também é verdade, meu filho.

  Poxa Senhor, isso não me parece justo.

  Calma meu filho. Não houve nenhum favorecimento. Existem diversas contrapartidas. Você tem que considerar o povinho e os políticos que coloquei lá.


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