Na ocasião os administradores locais solicitaram à população que
colaborasse com os que foram obrigados a evacuar suas casas. Todos os
comerciantes da região disponibilizam sem custos os seus estoques de água,
mantimentos e remédios. Detalhe, nenhum dos beneficiados sequer cogitou em
pegar mais do que o essencialmente necessário e a população local recebeu desabrigados
em suas próprias residências.
Lembrei desta história ao ler sobre o comportamento dos
comerciantes tupiniquins com a suposta crise de desabastecimento resultante da
greve dos caminhoneiros, onde os preços dos gêneros de primeira necessidade sem
nenhuma explicação razoável foram às alturas. Houve pouco sentimento de
solidariedade e muitos aproveitaram para obter lucros excessivos. Associei a ocorrência
com uma estória antiga que remete à criação do mundo:
Um empreendedor norte-americano passou desta para a melhor e no
processo de admissão no paraíso solicitou um breve encontro com Deus, para
esclarecer as razões do criador para o que ele, na terra, considerava
injustiças. Uma delas versava sobre o suposto protecionismo ao distribuir as
riquezas naturais na criação do mundo, o caso do Brasil era o que mais o
incomodava enquanto vivo. Sua conversa com o todo poderoso foi mais ou menos
assim:
– O Senhor criou o mundo e diversos países, em alguns nestes colocou
vulcões, desertos e os sujeitou a condições para sofrerem com tempestades e
furacões.
– É verdade, meu filho.
– Pois é, mas no Brasil o senhor colocou matas verdejantes, mar maravilhoso
com brisa fresca e rios de águas límpidas. Lá a natureza é bela e tranquila.
– Também é verdade, meu filho.
– Poxa Senhor, isso não me parece justo.
– Calma meu filho. Não houve nenhum favorecimento. Existem diversas
contrapartidas. Você tem que considerar o povinho e os políticos que coloquei
lá.

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