O Holandês
Voador
Flying
Dutchman, ou Holandês Voador, foi um navio cargueiro que levantou âncora das docas
de Amsterdã em 1751 rumo à Java, e sumiu depois de uma tormenta no Cabo da Boa
Esperança. Os boletins navais da época registraram naufrágio com perda total de
carga e tripulação. Anos depois o navio holandês foi visto outra vez, com as
velas totalmente enfurnadas e proa alinhada singrando os mares como se
estivesse em uma rota definida. Não era a aparência de um barco afundado que
por algum fenômeno natural tinha voltado à tona. Os tripulantes do barco que
fizeram a descoberta subiram a bordo e minutos depois retornaram aterrorizados
ao seu navio e procuraram a maior distância possível. Embora tudo estivesse
limpo, o tombadilho organizado, o velame gasto, porém bem amarrado, não havia
nenhum ser vivo a bordo.
Desde
então existe a lenda que o Flying Dutchman continua aparecendo nos oceanos,
sempre em noites de tempestade. Os velhos marujos explicam que foi cometida a
bordo alguma abominação prodigiosa, tão horrível que até satanás evita o navio,
que foi amaldiçoado e as almas de seus tripulantes condenadas a navegar
eternamente pelo mar sem fim.
Flying
Dutchman é um sinônimo de nau sem rumo, fenômeno facilmente identificado em
empresas ou países com procedimentos de gestão pífios ou não alinhados com a
realidade. Como lembra a sabedoria do dito popular: “Qualquer caminho serve
quando não se sabe onde quer ir”.
Vada a
bordo, cazzo
Mesmo
antes de abril de 1912, quando Comandante Edward Smith manteve-se na ponte de
comando enquanto o RMS Titanic naufragava, existe uma ética naval que o
comandante é sempre o último a abandonar o navio. Como nem todos tem um
comportamento ético, o comandante Francesco Schettino foi um dos primeiros a
cair fora quando o Costa Concordia adernou e foi dado como perdido após
colisão uma com rocha perto do porto de Giclio na Itália. O capitão Gregorio de
Falco, da Guarda Costeira, indignou-se quando soube que o comandante havia
abandonado seu posto e deu uma expressa ordem para que Schettino voltasse ao
navio. “Vada a bordo, cazzo”! ─ bradou pelo rádio. “Cazzo” fingiu
que não ouviu, ele estava à salvo, os passageiros que se danassem.
Em algumas
empresas (ou países) às vezes é necessário que alguém utilize as palavras de
Falco, “Vada a bordo, cazzo”, para cobrar alguma atitude dos responsáveis pela
gestão.
Carlos Alberto


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