sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Duas histórias de navios








O Holandês Voador

Flying Dutchman, ou Holandês Voador, foi um navio cargueiro que levantou âncora das docas de Amsterdã em 1751 rumo à Java, e sumiu depois de uma tormenta no Cabo da Boa Esperança. Os boletins navais da época registraram naufrágio com perda total de carga e tripulação. Anos depois o navio holandês foi visto outra vez, com as velas totalmente enfurnadas e proa alinhada singrando os mares como se estivesse em uma rota definida. Não era a aparência de um barco afundado que por algum fenômeno natural tinha voltado à tona. Os tripulantes do barco que fizeram a descoberta subiram a bordo e minutos depois retornaram aterrorizados ao seu navio e procuraram a maior distância possível. Embora tudo estivesse limpo, o tombadilho organizado, o velame gasto, porém bem amarrado, não havia nenhum ser vivo a bordo.

Desde então existe a lenda que o Flying Dutchman continua aparecendo nos oceanos, sempre em noites de tempestade. Os velhos marujos explicam que foi cometida a bordo alguma abominação prodigiosa, tão horrível que até satanás evita o navio, que foi amaldiçoado e as almas de seus tripulantes condenadas a navegar eternamente pelo mar sem fim.

Flying Dutchman é um sinônimo de nau sem rumo, fenômeno facilmente identificado em empresas ou países com procedimentos de gestão pífios ou não alinhados com a realidade. Como lembra a sabedoria do dito popular: “Qualquer caminho serve quando não se sabe onde quer ir”.







Vada a bordo, cazzo

Mesmo antes de abril de 1912, quando Comandante Edward Smith manteve-se na ponte de comando enquanto o RMS Titanic naufragava, existe uma ética naval que o comandante é sempre o último a abandonar o navio. Como nem todos tem um comportamento ético, o comandante Francesco Schettino foi um dos primeiros a cair fora quando o Costa Concordia adernou e foi dado como perdido após colisão uma com rocha perto do porto de Giclio na Itália. O capitão Gregorio de Falco, da Guarda Costeira, indignou-se quando soube que o comandante havia abandonado seu posto e deu uma expressa ordem para que Schettino voltasse ao navio. “Vada a bordo, cazzo”! ─ bradou pelo rádio. “Cazzo” fingiu que não ouviu, ele estava à salvo, os passageiros que se danassem.

Em algumas empresas (ou países) às vezes é necessário que alguém utilize as palavras de Falco, “Vada a bordo, cazzo”, para cobrar alguma atitude dos responsáveis pela gestão.




Carlos Alberto





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