A desfaçatez de alguns representantes da classe
política atinge o ápice quando, em plena era de caça aos corruptos, persistem
em condutas criminosas com a aparente certeza da eterna impunidade. Até um
ex-governador do Rio de Janeiro chamado Pezão foi preso por ter herdado a
cultura do governo anterior e mantido incólume os esquemas de propinas. Além de
Pezão ainda tem “mãos grandes”.
Algumas histórias obtidas no dia a dia
comprovam que, enquanto não houver uma mudança cultural e o voto for obrigatório
neste país, não há reforma política que consiga evitar a eleição de governantes
e congressistas incapazes de encontrar uma saída para nosso país.
Caso 1: Um cidadão comprou uma geladeira nova e,
para descartar a antiga, colocou-a em frente a sua casa com um aviso: "De graça. Apesar de usada ainda funciona. Pode
levar se quiser”. A geladeira ficou três dias sem receber um único olhar
dos passantes. Ele chegou à conclusão que as pessoas não acreditavam na oferta,
parecia boa demais para ser verdade. Mudou o cartaz para: “Geladeira à venda
por apenas R$ 250,00” . Na mesma noite foi roubada.
Cuidado! O tipo que levou a geladeira vota!
Caso 2: Procurando um apartamento para alugar, um
conhecido meu perguntou à corretora que lhe apresentava um imóvel de que lado
era o Norte, não queria ser acordado pelo sol todas as manhãs. A corretora
perguntou: “O sol nasce no Norte”?
Quando meu amigo explicou que o sol nasce no Leste (aliás, há um bocado de
tempo que isso acontece), ela disse: “Não
tenho tido tempo para ler jornais ultimamente, não estou atualizada a este
respeito”.
A corretora desinformada também vota!
Caso 3: Uma operadora
de um serviço de help-desk recebeu um
telefonema de um cliente do Amazonas, perguntando sobre o horário de
atendimento. Ela respondeu: “O número que
o senhor discou está disponível para suporte técnico 24 horas por dia, sete
dias por semana”. O cliente insistiu: “Sei,
li isto no folheto que acompanha o produto, só que não especifica em qual fuso
horário. Em Manaus o fuso é diferente de Brasília e aqui não tem horário de
verão”. Para evitar ser indelicada, ela respondeu que era pelo fuso horário
de Manaus.
O cliente de Manaus, independente do fuso horário, vota!
Caso 4: Estava com um colega no refeitório de uma indústria,
na fila do self-service, quando
ouvimos uma linda assistente administrativa falando das queimaduras de sol que
havia sofrido ao ir de carro para o litoral no fim de semana. “Estava com meu
namorado em um conversível, não pensei que pudesse ficar queimada com o carro
em movimento”.
Ela, com toda a sua beleza, vota!
Caso 5: Uma amiga,
engenheira química muito competente em seu trabalho tem uma ferramenta
salva-vidas no carro, com a finalidade de cortar o cinto de segurança caso ela
fique presa. Por causa do tamanho, ela guarda a ferramenta no porta-malas.
Além de precavida, a engenheira também vota!
Caso 6: Fui com meu filho comprar cerveja para um
churrasco de fim de semana e notamos que para uma das marcas oferecidas havia uma
promoção de 10% de desconto para cada conjunto de doze latas. Como o preço era convidativo,
compramos duas unidades. Quando passamos pelo caixa meu filho lembrou
gentilmente ao operador da oferta anunciada, ele multiplicou 10% por dois e nos
deu um desconto de 20% do valor em cada conjunto.
Ele, além de contribuir para reduzir os lucros do
supermercado, também vota!
Caso 7: Estava em processo de reidratação em um bar
com alguns amigos após um jogo de futebol. Uma garota estranha apareceu com um
aro no nariz atrelado por uma corrente a um brinco na orelha. Um dos meus
amigos ficou perplexo e perguntou: “Será que aquela corrente não dá um puxão na
orelha quando ela vira a cabeça”? Com muita paciência, outro colega explicou
que o nariz e a orelha de uma pessoa permanecem sempre a mesma distância,
independente de virar a cabeça ou não.
Meu amigo, além de não jogar nada, também vota!
Caso 8: Ao chegar de uma viagem não consegui
localizar a minha mala na esteira do aeroporto. Fui, então, até o setor de
bagagens extraviadas e disse à atendente que a minha mala não tinha
aparecido. Ele sorriu e disse para não
me preocupar, ela era uma profissional treinada e eu estava em boas mãos. “Por gentileza – disse ela – me procure quando seu voo chegar”.
Ela era treinada para localizar bagagens extraviadas, e
vota!
Caso 9: Esperando ser atendido em uma pizzaria,
observei um senhor solicitando uma pizza para viagem. Ele estava sozinho, e o pizzaiolo perguntou se preferia a pizza
cortada em quatro, seis ou oito pedaços. Ele pensou algum tempo antes de
responder: “Só quatro pedaços, por favor.
Minha fome não é tão grande que justifique comer oito pedaços”.
É exatamente o que vocês estão pensando – ele também
vota.
Caso 10: O centro
de atendimento a clientes de uma conhecida fábrica de automóveis recebeu um
chamado de um proprietário de um modelo novo, ele estava com pane seca no meio
de uma autoestrada e perguntou se havia alguma maneira de, em caso de urgência,
o veículo rodar sem combustível.
Bingo, o feliz proprietário do veículo zero tem título de
eleitor e vota!
Caso 11: Uma amiga estava caminhando no centro da
cidade e foi assaltada (não chega a se constituir uma novidade em Porto
Alegre). No evento seu celular foi levado (também não é novidade). Ainda
nervosa e assustada, ela conseguiu um telefone emprestado e ligou para a
operadora solicitando o bloqueio do seu aparelho. A atendente foi muito
prestativa e, depois de confirmar diversas informações pessoais, informou
educadamente: "O processo está quase
finalizado. A Sra. receberá em instantes um SMS com um número de protocolo em
seu aparelho (o roubado). Por favor, torne a ligar, informe este protocolo e
sua linha será imediatamente bloqueada”.
Desnecessário dizer que a atendente e o gênio que criou
este procedimento têm títulos de eleitor válidos. E votam!
Caso 12: Um técnico senior
de uma empresa de informática fez uma manobra infeliz ao estacionar seu carro e
danificou a calota de uma roda dianteira. Dois dias depois, em um "Happy Hour" na Calçada da Fama (um
local de encontro muito frequentado em Porto Alegre), um flanelinha notou o
fato e disse que um conhecido tinha uma calota quase nova igualzinha. Venderia
por R$ 50,00, um terço do preço da concessionária. O técnico fechou o negócio na
hora e, antes de terminar seu terceiro chopp,
recebeu a mercadoria, limpa, embalada em um saco plástico de supermercado e em
muito bom estado. Feliz da vida, ao sair instalou a peça na roda faltante e foi
para casa. A surpresa ficou reservada para a manhã do dia seguinte, quando
notou que uma das rodas traseiras estava sem calota.
O técnico esperto e possivelmente o flanelinha também
votam!
Olhando estes casos fica fácil entender porque os nossos
representantes conseguem ser eleitos com currículos que em nada ficam a dever
com robustos prontuários policiais.

Nenhum comentário:
Postar um comentário