sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Eles votam!



Em um país onde o noticiário político se confunde com a cobertura policial, onde procuradores federais se comportam como estrelas de rock e promovem mega shows distribuindo acusações com farta cobertura da mídia destruindo reputações. Enquanto alguns petistas demonstram bom senso e consideram Lula da Silva apenas um retrato na parede, parlamentares no congresso discursam da tribuna todos os dias afrontando o Poder Judiciário dizendo que ele foi preso sem provas. O partido que perdeu a última eleição presidencial, apesar de ter gasto 15 vezes mais que o vencedor, insiste que houve abuso econômico do concorrente porque a atuação de sua militância, os chamados “mortadelas”, foi muito inferior à dos “coxinhas” que agiam de forma espontânea.

A desfaçatez de alguns representantes da classe política atinge o ápice quando, em plena era de caça aos corruptos, persistem em condutas criminosas com a aparente certeza da eterna impunidade. Até um ex-governador do Rio de Janeiro chamado Pezão foi preso por ter herdado a cultura do governo anterior e mantido incólume os esquemas de propinas. Além de Pezão ainda tem “mãos grandes”. 

Algumas histórias obtidas no dia a dia comprovam que, enquanto não houver uma mudança cultural e o voto for obrigatório neste país, não há reforma política que consiga evitar a eleição de governantes e congressistas incapazes de encontrar uma saída para nosso país.



Caso 1:     Um cidadão comprou uma geladeira nova e, para descartar a antiga, colocou-a em frente a sua casa com um aviso: "De graça. Apesar de usada ainda funciona. Pode levar se quiser”. A geladeira ficou três dias sem receber um único olhar dos passantes. Ele chegou à conclusão que as pessoas não acreditavam na oferta, parecia boa demais para ser verdade. Mudou o cartaz para: “Geladeira à venda por apenas R$ 250,00”.  Na mesma noite foi roubada.

Cuidado! O tipo que levou a geladeira vota!



Caso 2:     Procurando um apartamento para alugar, um conhecido meu perguntou à corretora que lhe apresentava um imóvel de que lado era o Norte, não queria ser acordado pelo sol todas as manhãs. A corretora perguntou: “O sol nasce no Norte”? Quando meu amigo explicou que o sol nasce no Leste (aliás, há um bocado de tempo que isso acontece), ela disse: “Não tenho tido tempo para ler jornais ultimamente, não estou atualizada a este respeito”.

A corretora desinformada também vota!



Caso 3: Uma operadora de um serviço de help-desk recebeu um telefonema de um cliente do Amazonas, perguntando sobre o horário de atendimento. Ela respondeu: “O número que o senhor discou está disponível para suporte técnico 24 horas por dia, sete dias por semana”. O cliente insistiu: “Sei, li isto no folheto que acompanha o produto, só que não especifica em qual fuso horário. Em Manaus o fuso é diferente de Brasília e aqui não tem horário de verão”. Para evitar ser indelicada, ela respondeu que era pelo fuso horário de Manaus.

O cliente de Manaus, independente do fuso horário, vota!



Caso 4:     Estava com um colega no refeitório de uma indústria, na fila do self-service, quando ouvimos uma linda assistente administrativa falando das queimaduras de sol que havia sofrido ao ir de carro para o litoral no fim de semana. “Estava com meu namorado em um conversível, não pensei que pudesse ficar queimada com o carro em movimento”.

Ela, com toda a sua beleza, vota!



Caso 5: Uma amiga, engenheira química muito competente em seu trabalho tem uma ferramenta salva-vidas no carro, com a finalidade de cortar o cinto de segurança caso ela fique presa. Por causa do tamanho, ela guarda a ferramenta no porta-malas.

Além de precavida, a engenheira também vota!



Caso 6:     Fui com meu filho comprar cerveja para um churrasco de fim de semana e notamos que para uma das marcas oferecidas havia uma promoção de 10% de desconto para cada conjunto de doze latas. Como o preço era convidativo, compramos duas unidades. Quando passamos pelo caixa meu filho lembrou gentilmente ao operador da oferta anunciada, ele multiplicou 10% por dois e nos deu um desconto de 20% do valor em cada conjunto.

Ele, além de contribuir para reduzir os lucros do supermercado, também vota!



Caso 7:     Estava em processo de reidratação em um bar com alguns amigos após um jogo de futebol. Uma garota estranha apareceu com um aro no nariz atrelado por uma corrente a um brinco na orelha. Um dos meus amigos ficou perplexo e perguntou: “Será que aquela corrente não dá um puxão na orelha quando ela vira a cabeça”? Com muita paciência, outro colega explicou que o nariz e a orelha de uma pessoa permanecem sempre a mesma distância, independente de virar a cabeça ou não.

Meu amigo, além de não jogar nada, também vota!



Caso 8:     Ao chegar de uma viagem não consegui localizar a minha mala na esteira do aeroporto. Fui, então, até o setor de bagagens extraviadas e disse à atendente que a minha mala não tinha aparecido.  Ele sorriu e disse para não me preocupar, ela era uma profissional treinada e eu estava em boas mãos. “Por gentileza – disse ela – me procure quando seu voo chegar”.

Ela era treinada para localizar bagagens extraviadas, e vota!



Caso 9:     Esperando ser atendido em uma pizzaria, observei um senhor solicitando uma pizza para viagem. Ele estava sozinho, e o pizzaiolo perguntou se preferia a pizza cortada em quatro, seis ou oito pedaços. Ele pensou algum tempo antes de responder: “Só quatro pedaços, por favor. Minha fome não é tão grande que justifique comer oito pedaços”.

É exatamente o que vocês estão pensando – ele também vota.



Caso 10: O centro de atendimento a clientes de uma conhecida fábrica de automóveis recebeu um chamado de um proprietário de um modelo novo, ele estava com pane seca no meio de uma autoestrada e perguntou se havia alguma maneira de, em caso de urgência, o veículo rodar sem combustível.

Bingo, o feliz proprietário do veículo zero tem título de eleitor e vota! 

Caso 11:  Uma amiga estava caminhando no centro da cidade e foi assaltada (não chega a se constituir uma novidade em Porto Alegre). No evento seu celular foi levado (também não é novidade). Ainda nervosa e assustada, ela conseguiu um telefone emprestado e ligou para a operadora solicitando o bloqueio do seu aparelho. A atendente foi muito prestativa e, depois de confirmar diversas informações pessoais, informou educadamente: "O processo está quase finalizado. A Sra. receberá em instantes um SMS com um número de protocolo em seu aparelho (o roubado). Por favor, torne a ligar, informe este protocolo e sua linha será imediatamente bloqueada”.

Desnecessário dizer que a atendente e o gênio que criou este procedimento têm títulos de eleitor válidos. E votam!



Caso 12:  Um técnico senior de uma empresa de informática fez uma manobra infeliz ao estacionar seu carro e danificou a calota de uma roda dianteira. Dois dias depois, em um "Happy Hour" na Calçada da Fama (um local de encontro muito frequentado em Porto Alegre), um flanelinha notou o fato e disse que um conhecido tinha uma calota quase nova igualzinha. Venderia por R$ 50,00, um terço do preço da concessionária. O técnico fechou o negócio na hora e, antes de terminar seu terceiro chopp, recebeu a mercadoria, limpa, embalada em um saco plástico de supermercado e em muito bom estado. Feliz da vida, ao sair instalou a peça na roda faltante e foi para casa. A surpresa ficou reservada para a manhã do dia seguinte, quando notou que uma das rodas traseiras estava sem calota. 

O técnico esperto e possivelmente o flanelinha também votam!



Olhando estes casos fica fácil entender porque os nossos representantes conseguem ser eleitos com currículos que em nada ficam a dever com robustos prontuários policiais.


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