Na versão grega da criação do mundo, Prometeu e Epimeteu, irmãos
e titãs, foram incumbidos pelos deuses de criar os animais e, dentre eles, um
melhor para exercer o controle da vida na terra: o homem. Para isto deram a
eles uma caixa com dons e virtudes e outra com males e vícios.
Mas os dois Meteu, apesar de irmãos, eram opostos. Prometeu
pensava antes de agir. Epimeteu agia sem pensar e, impulsivamente saiu a criar
animais, dotando-os de virtudes – força, coragem, resistência, etc. Quando
chegou a vez do homem, tinha gasto todos os dons. Sem saber o que fazer, chamou
Prometeu que, ponderado e corajoso, achou uma solução: subiu ao Olimpo
(residência dos deuses), roubou o fogo (símbolo do saber e do pensamento) e deu
ao homem. Com o dom de Prometeu, de apreender e pensar antes de fazer, o homem
assegurou a sua superioridade sobre os outros animais.
Júpiter, furioso com a ousadia de Prometeu, resolveu punir os
dois irmãos. Para exasperá-los, criou e enviou-lhes a primeira mulher: Pandora.
Com a curiosidade típica das mulheres, Pandora um dia abriu a caixa dos males e
vícios, que Epimeteu guardara, os quais se espalharam pelo mundo. Aborrecido
com mais esta trapalhada, Júpiter acorrentou Prometeu no pico do Cáucaso, onde
um abutre comia durante o dia o seu fígado de titã, que se regenerava durante a
noite. Bastaria a Prometeu admitir o erro para repará-lo e livrar-se do
suplício, mas ele não se curvou, tornando-se símbolo da ponderação associada à
força de vontade para resistir ao sofrimento e à opressão imposta pelos deuses.
A lição desta história é para as pessoas se exasperam de ficar
analisando opções e querem partir logo para a ação. A lição da mitologia é que
quem age sem pensar, acaba comandado por quem pensa antes de agir. É mais ou
menos a mesma coisa com quem não gosta de política. Arnold Toynbee, um pensador
autor de um (entre outros) livro chamado “Um Estudo de História” escreveu, com
muita propriedade: “A desgraça dos que não gostam de política é serem
governados pelos que gostam”.

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