sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

A Caixa de Pandora




Na versão grega da criação do mundo, Prometeu e Epimeteu, irmãos e titãs, foram incumbidos pelos deuses de criar os animais e, dentre eles, um melhor para exercer o controle da vida na terra: o homem. Para isto deram a eles uma caixa com dons e virtudes e outra com males e vícios.

Mas os dois Meteu, apesar de irmãos, eram opostos. Prometeu pensava antes de agir. Epimeteu agia sem pensar e, impulsivamente saiu a criar animais, dotando-os de virtudes – força, coragem, resistência, etc. Quando chegou a vez do homem, tinha gasto todos os dons. Sem saber o que fazer, chamou Prometeu que, ponderado e corajoso, achou uma solução: subiu ao Olimpo (residência dos deuses), roubou o fogo (símbolo do saber e do pensamento) e deu ao homem. Com o dom de Prometeu, de apreender e pensar antes de fazer, o homem assegurou a sua superioridade sobre os outros animais.

Júpiter, furioso com a ousadia de Prometeu, resolveu punir os dois irmãos. Para exasperá-los, criou e enviou-lhes a primeira mulher: Pandora. Com a curiosidade típica das mulheres, Pandora um dia abriu a caixa dos males e vícios, que Epimeteu guardara, os quais se espalharam pelo mundo. Aborrecido com mais esta trapalhada, Júpiter acorrentou Prometeu no pico do Cáucaso, onde um abutre comia durante o dia o seu fígado de titã, que se regenerava durante a noite. Bastaria a Prometeu admitir o erro para repará-lo e livrar-se do suplício, mas ele não se curvou, tornando-se símbolo da ponderação associada à força de vontade para resistir ao sofrimento e à opressão imposta pelos deuses.

 A lição desta história é para as pessoas se exasperam de ficar analisando opções e querem partir logo para a ação. A lição da mitologia é que quem age sem pensar, acaba comandado por quem pensa antes de agir. É mais ou menos a mesma coisa com quem não gosta de política. Arnold Toynbee, um pensador autor de um (entre outros) livro chamado “Um Estudo de História” escreveu, com muita propriedade: “A desgraça dos que não gostam de política é serem governados pelos que gostam”.

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