A maior parte das histórias da mitologia grega sobreviveu pelas
obras de poetas épicos como Homero e Hesíodo, que contaram as proezas de
deuses, semideuses, titãs e heróis. As
lendas dos deuses do Olimpo descrevem cenas de amor, inveja, desilusões, rivalidades,
desprezo e ódio, sentimentos idênticos aos experimentados pelos mortais. As histórias
sobrevivem até os dias atuais, inspiraram gênios da musica e da pintura e
influenciaram até as bases da psicanálise moderna.
Uma destas lendas utiliza um prólogo recorrente na literatura, a
inveja semeando a cizânia onde antes havia harmonia e tranquilidade. Ela inicia
em um banquete promovido por Zeus em comemoração ao casamento de Peleu e Tétis,
que viriam a ser pais de pais de Aquiles. Todo o Olimpo foi convidado, com
exceção de Eris, a Deusa da discórdia, cuja habilidade em transformar toda a
celebração em fatos desagradáveis era reconhecida por todos. Éris ficou
irritada com a afronta e, durante a festa, apareceu com uma maçã de ouro do
Jardim das Hespérides e a colocou na mesa de Zeus, dizendo que era destinada "para
a mais bela".
Três deusas reivindicaram a maçã: Hera, Atena e Afrodite. Zeus
hesitou em arbitrar a contenda porque uma das disputantes, Hera, era sua irmã e
esposa. Para obter um julgamento isento escolheu um mortal de Tróia, Páris, irmão
de Heitor, que já havia prestado serviços ao senhor de todos os deuses
demonstrando total lealdade.
As três candidatas foram conduzidas por Hermes a uma colina
próxima de Tróia, onde foram analisadas inspecionadas por Páris. Durante a
análise do mortal, cada deusa usou seus poderes para tentar suborná-lo. Hera
prometeu transformá-lo no rei da Europa e da Ásia, Atena ofereceu sabedoria e
habilidade na guerra e Afrodite lhe garantiu o amor da mulher mais cobiçada da
terra, Helena de Esparta, a mulher do rei grego Menelau. Páris aceitou a oferta
de Afrodite e lhe concedeu a maçã, recebendo em troca o amor da bela Helena e a
eterna inimizade dos gregos. A expedição dos gregos para recuperar Helena é a
base mitológica da Guerra de Tróia, que durou dez anos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário