Muito tempo
atrás, quando eu tinha entre os 14 ou 15 anos de idade, lembro de ter lido o
livro de Honoré de Balzac “A mulher de trinta” escrito em 1847. Tenho vagas
lembranças do seu conteúdo, e na época não acreditei muito na ideia que uma
pessoa tão “velha” pudesse ter discernimento e uma vida tão plena de
realizações. Em algum momento o autor cita "bela
idade de trinta anos, ápice poético da vida das mulheres". A obra
gerou o termo “Balzaquiana” para descrever a mulher completa, ciente de sua
capacidade e sem a ilusão e a inexperiência da juventude.
Aqui no lado de
baixo do equador os 30 anos já representaram uma linha divisória na vida das
pessoas. Acima desta idade um homem é definitivamente homem, como Erasmo Carlos escreveu eu uma de
suas canções: “É um homem, entende tudo”. A grande verdade é que nos dias
atuais, em plena revolução tecnológica, as pessoas amadurecem mais tarde (se
bem que alguns não amadurecem nunca), entretanto na cultura popular depois
desta idade um atleta já é considerado veterano e uma mulher continua sendo
balzaquiana, como era no século 19. Um dos cânones da economia mais arraigados
é quem não conseguiu amealhar o seu primeiro milhão antes dos trinta
dificilmente consegue depois.
Não confie em ninguém com mais de 30 anos, dizia uma
antiga música do Marcos Valle no tempo em que os jovens e seus hormônios
rebeldes iam mudar o mundo. Abaixo dos 30 havia a juventude, a esperança, a
certeza de contribuir para um mundo melhor, acima, só a decrepitude. A barreira
da idade representaria a diferença entre ter planos e ter lembranças, curtir a
vida que resta ou sofrer com a aproximação da morte, fazer a hora ou esperar
acontecer, admirar um pôr do sol ou apenas lamentar mais um final do dia.
Faz muito passei dos trinta, sou da época que Papai Noel ainda
tinha a barba preta. Com o
tempo adquiri a certeza que a vida tem uma sequência lógica, na medida
que os anos passam ela vai nos tirando coisas; destreza, agilidade, velocidade
de raciocínio. Os cabelos escasseiam e perdem a cor, escadas ficam mais
íngremes e com mais degraus e os caminhos ficam mais longos. Entretanto o
roteirista de nossa existência incluiu compensações, uma delas é o fascínio de
acompanhar a evolução das novas gerações. Estou atingindo uma idade cabalística,
em uma das minhas primeiras aulas na escola de engenharia um professor utilizou
a associação de ideias para ajudar a todos a lembrar o seu telefone, explicou
que não tinha como esquecer, era “o papa que morreu, o inverso do papa que
morreu e o que todo o mundo gosta mais dez”. Isto foi a mais de meio século e
eu nunca esqueci, 23-32-79.
Estou chegando à
idade que, segundo meu antigo mestre, é indicada pelo número que caracteriza o
que todo o mundo gosta. Sei que sou quase um neandertal, meus hábitos são
ancestrais e já não são considerados o padrão da sociedade, entretanto não
perdi a capacidade de observar e admirar a evolução do ambiente e pessoas que
me cercam.
Dra. Danielle,
seja bem-vinda aos melhores anos do resto da sua, espero, longa vida. Embora
seja uma conhecida e eficiente disseminadora de “Fake Teeth”, continue o seu
sendo a profissional que transcende a competência e se entusiasma com o
resultado de um trabalho bem feito, que se emociona quando devolve a autoestima
para as pessoas e transforma seus clientes em amigos. Você é tão singular que
até tem para chamar de seu um Danniel peculiar, que não é erro de grafia, é
assim mesmo, com dois “n”.
Meu cumprimento
formal no aniversário dos amigos é expresso por uma frase curta, herança dos
anos em[que telegrama
era tarifado por palavra: “Parabéns hoje, felicidades sempre”, entretanto você
fez por merecer um esforço extra, você tem sido um presente de natal valioso
para muitas pessoas ao longo destas três décadas e, com certeza, foi uma das
coisas boas que me aconteceram em 2018.
Carlos Alberto
24/12/2018

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