Zoologicamente é fácil
identificá-los: andam em bandos, alimentam-se de verbas públicas e são pacíficos
e afáveis, condição necessária para seus golpes e trapaças, mas quando
ameaçados podem se tornar hostis e violentos em defesa dos privilégios e
impunidades da raça. Seu habitat natural é o Congresso Nacional e visualmente
lembram um ajuntamento de meliantes que, em vez de “mano” ou “brother”, usam o
tratamento de Vossa Excelência. Podem ser identificados pelo terno escuro que
jamais se entende com a gravata, pelo sorriso de aeromoça e pela expressão
confiante de quem se acha condenado à perpétua impunidade.
Em uma sub-raça,
individualizada por uma estrela vermelha, os indivíduos se assemelham ao
resultado da cruza malsucedida de vaca com o jumento, híbridos
que não produzem leite nem puxam carroças.
São profundamente religiosos, adoram uma
divindade etérea chamada “Partido” com duas seitas principais, “Base” e “Oposição”,
mas a aderência e lealdade entre uma ou outra pode ter a consistência e duração
de um voo de galinha.
Algumas espécies demonstram uma enorme
capacidade de sobrevivência e adaptação às mudanças ambientais. Suas
capacidades de mimetização são amplamente utilizadas para transformarem
inimigos viscerais em grandes aliados. Normalmente utilizam uma forma de comunicação
semelhante à escrita e falada, porém os termos utilizados variam o sentido com
o tempo e o lugar.

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